A Criação

A Criação

clpires@bol.com.br


A Criação Divina

E estava Deus admirando sua obra no sexto dia.

Tudo era perfeito...
As coisas funcionavam maravilhosamente...
As vezes algo desviava do planejado mas bastava uma pequena correção aqui, um ajuste ali...

Tudo era muito simples e fácil de acertar. Ainda não sabia se daria o nome de Criação ou de Perfeição!

O universo funcionava melhor que um relógio suíço. E olha que nem havia inventado a Suíça ainda! Ela foi inspiração deste momento.

Era hora de descansar um pouquinho, apesar de não ter sido muito esforço fazer tudo isso... Fácil fácil. Bastava imaginar e estava pronto. Deixaria sua criação para alguém cuidar enquanto cochilava.

- Hei menino, vem aqui! Disse a um anjinho que estava perto.

anjo

O anjo apressou-se tímido e intimidado! O Mestre dos Mestres o chamara.
- Pronto Senhor. O que deseja?
Vou dar uma descansadinha pelo sétimo dia, e você fica para cuidar de minha Criação!
- Mas Senhor, sou um simples anjinho, como saberei cuidar deste Universo complexo?
- É muito simples o seu funcionamento. Basta seguir este Manual do Proprietário e nada errado acontecerá.
- Sim Senhor, procurarei fazer o meu melhor!
- Como você chama, anjinho?
- Meu nome é Natureza, Senhor.

E foi Deus para seu merecido descanso.

O anjinho Natureza mais que depressa começou a estudar o Manual para entender o funcionamento da Criação.
Realmente a Obra era muito simples de cuidar, contrastando com a grandeza do Universo.

O Criador era um gênio.

O planeta precisava de terremotos para ajustar novas coisas, mas bastava colocar um deles de vez em quanto, em lugares diferentes, para não quebrar muito as coisas

terremoto

A água evaporava de um lugar para cair como chuva noutro e nutrir a vida.
Se havia muita evaporação, bastava chover o excesso no mar.

Se um predador aumentasse muito e quase acabasse com suas presas, o mecanismo se autoregulava: a fome diminuía os predadores.

ninhada

Se houvessem muuuuitas presas, aumentava o número de predadores... Simples!

Para controlar as populações que não dependiam de presas, os chamados herbívoros, não adiantava colocar seca, pois eles migravam para outros lugares.

seca

Então o manual mandava reduzir a população com alguma doença, ou guerra entre os indivíduos,

Se uma espécie mudava demais o meio ambiente, de novo o mecanismo se autoregulava tirando os meios de sobrevivência.

Outra maneira infalível para controlar a natalidade era o sexo não reprodutivo.

leao

Periodicamente era prevista uma catástrofe planetária para renovar as espécies e desenvolver a vida em níveis mais superiores, com no caso de glaciações, vulcões generalizados ou mesmo um asteroide caindo na Terra quando havia pressa nas mudanças.

Tudo muito simples, bem planejado.
Perfeição....

Mas....

... começaram a surgir os problemas!

O Senhor não havia dado o Manual do Ser Humano, uma espécie que não seguia as regras do Manual do Proprietário.

Esta espécie burlava todas as regras, aumentando descontroladamente a população, criando coisas que não deveriam existir, desequilibrando o meio ambiente, colocando toda a Obra em risco.

multidao

Não adiantava mandar seca pois eles tiravam água de outro lugar, e sempre havia alimento sobrando, mesmo mal distribuído (uma regra quebra galho do anjinho).
Mesmo com terremotos grandes, eles conseguiam construir mais rápido que a destruição.

Tornaram-se os predadores de todas as espécies, até extinguindo algumas das mais belas criaturas.
Se faltasse alimento, criavam animais só para alimentação, ou mudavam a natureza genética de plantas e bichos para que sobrevivessem a pragas e doenças.

superpopulacao

http://www.canalkids.com.br/cultura/geografia/super.htm

E, falando em doenças, criavam remédios pra burlar qualquer tentativa de restringir o aumento populacional.
Sexo então descontrolou mesmo. O anjinho ainda tentou fazê-lo apenas fonte de prazer, mas não adiantou. Tem apenas uma regra da criação que eles seguiam: quanto menor a expectativa de vida, maior a natalidade. O sexo não reprodutivo não funcionou! Mesmo comprometendo uma grande parcela da população, ela continuava a crescer.
Guerras então... Nem se fale. Nas primeira tentativas do anjo as guerras matavam em grande quantidade. Mas, o homem aprendeu a fazer armas que destruíam mais com a menor perda de população. A guerra tecnológica não precisava mais destruir uma cidade para desativar um quartel. O foguete era certeiro.

Coitado do anjinho Natureza....

aflicao

... está entre tomar coragem e acordar o Criador...

... ou deixar sua Obra ser destruída!


 Voltar ao INÍCIO